27 de jan de 2010

[Republicação] A Luz da Primazia

Sexta feira, vinte e três horas, verão, Rio de Janeiro e nada que não fosse swing os surgiu como opção. O telefone tocou apenas duas vezes, mas em nenhuma delas nada e ninguém “careta” os procuravam. Justamente naquela noite, quando o que mais queriam era um programinha “ligth”, estavam fadados a ficar em casa ou apelarem a um dos contatos “virtuais/sexuais, o que neste dia não era o desejado. Um questionou ao outro: “por que esta falta de opção?” Levaram algum tempo para entender que deixaram de mão a tradicional vida social – a qual era pra ser (como combinado no início das aventuras) a prioridade. Acharam por bem permanecer em casa. O confinamento de um dia (ironicamente uma sexta-feira, quando sempre estavam em alguma badalação) caiu como uma luva, pois os levou – necessariamente – a reflexão. Começaram a relembrar e analisar momentos que viveram em um mundo – chamado por eles de Liberal – que os assuntou de início e por fim os viciou.
A primeira ida a um clube swing e o primeiro “nunca mais” dela. A primeira troca e a primeira discussão por causa de ciúme. O primeiro ménage e o primeiro excesso de bebida. A primeira festinha e o primeiro, digamos que, mau desempenho dele. Depois das primeiras surgiram os “novamentes”. Novamente chopinho com dois casais amigos na sexta e algumas brincadeiras. Novamente boate no sábado e uma esticada a um motel no final da noite. Novamente uma praia no domingo, cheia de segundas intenções, com novos amigos que fizeram no sábado. Novamente uma transa na segunda (que se repete na terça) relembrando tudo que aconteceu no fim de semana. Novamente uma transa na quarta (que se repete na quinta) imaginando tudo que pode e deve acontecer no próximo final de semana. Enfim sexta-feira e novamente tudo de novo...

No aniversário do ano passado do sobrinho não perceberam que mal entregaram o presente e já estavam de saída, pois a boate os esperava e esta noite prometia. Não perceberam que estavam nesse momento extinguindo a promessa de prioridade que fizeram. No churrasco dos melhores amigos “caretas” não foram o que costumavam ser porque estavam sendo perturbados no mundo virtual (Internet). Conseqüência de um excesso cibernético que não deram conta e por ser assim o diminuto tornara-se relevante.Depois da reflexão voltaram ao presente e se perguntaram: “você está bem?” Riram, riram e riram mais ainda. Porque apesar de tudo sabiam que havia tempo para mudar o que mudaram. Havia tempo e estavam dispostos e interessados a fazer. Havia tempo para desfazer o mito da criação de um Super Nick, ligar no dia seguinte pra galera careta marcando um churrasco ou uma pizza, ir a praia com a sogra e caçoar da falta de forma física da senhora, a noite fazer amor como sempre fizeram antes e no dia seguinte ir trabalhar sabendo que a vida é hoje, mas pode ser amanhã também e que o importante de tudo é saber dosar e nunca esquecer do que se priorizou de forma consciente.

Este texto é um alerta aos casais iniciantes e um convite a reflexão aos mais experientes.




É isso, fique ligado e a vontade...






Por Brad Montana

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