23 de fev de 2010

Era pra ser um segredo

O carnaval acabou, é hora de retomar as atividades normais e anormais (risos). Mas o enredo da Unidos da Tijuca, a cara deste blog, não podia passar batido por aqui. A escola campeã do carnaval carioca contou e cantou na avenida: É segredo. Bem, em novembro de 2004, quando eu criei a identidade Brad Montana, a proposta era buscar amizade e sexo casual. Isto é, sexo sem compromisso e simplesmente por prazer. Eu, naquele momento, adentrava ao mundo swing e a idéia era manter tudo em segredo. Só que as coisas foram mudando, e o que era pra ser segredo hoje é público – com direito a reportagem em jornal. Agora vem o melhor da história: e daí que eu faço swing? Alguém paga as minhas contas? Ou melhor, há algo de errado nisso?

Dentro da comunidade swing do Brasil é hábito preservar a identidade. “Abrir” para amigos e/ou parentes, que pratica a chamada troca de casais (ou talvez ménage), está fora de cogitação – salve raras exceções. O medo do preconceito e suas conseqüências exige uma conduta pra lá de discreta e cautelosa. Ninguém quer ser apontado na rua como pervertido, ou pior, ter os filhos apontados como “rebentos de imorais”. A sociedade ainda é muito conservadora e pra nossa infelicidade é igualmente “patrulhadora”. Isto é, fofoqueira. Porque patrulhar as contas públicas que é bom, ninguém patrulha. Mas já vida alheia...

Pra ter um problema com o povo basta fazer algo que fuja ao tradicionalismo. É assim com os homossexuais, é assim com os filósofos maconheiros, foi assim com os artistas. Opa! Pera aí! Foi assim com os artistas? Ué, será que haverá um tempo em que dirão: foi assim com o swing? Será que vamos evoluir a este ponto? Eu, particularmente, tenho as minhas dúvidas. Penso que todo preconceito que esteja relacionado a SEXO seja mais difícil de quebrar. Por quê? Sai século, entra século (opa – aqui não entra nada!) e o sexo continua a ser tabu. Aí o amigo leitor vai me dizer que muita coisa já mudou. E eu vou perguntar: será? Tendo em vista os lendários bacanais de outrora (será que não passam de lenda?) e todo paz e amor do Movimento Hippie, diria que a coisa ta é andando pra trás. Hoje se fala muito em sexo. Se discute EDUCAÇÃO sexual. Mas na hora da prática... A coisa descamba! A garota é sempre jovem demais pra perder o cabaço, diversificar parceiros sexuais é coisa pra prostituta e quem pensa em experimentar algo diferente é viado ou sapatão. O que sei é que eu decidi revelar o meu segredo: sim, faço swing. Como solteiro foi fácil. A maioria das pessoas me vê como O Pegador. E se antecipam: “quando você casar isso acaba”. É aí que se surpreendem, pois a minha parceira (sendo de sua vontade) também fará parte do meio (digo a eles). Inicia-se uma discussão imensa e tenho que mostrar a estas pessoas o quanto os valores morais estão invertidos, e até cego vê as infidelidades do dia-a-dia. Tenho que mostrar que o swing é o caminho da verdade e honestidade. E que nele só não é feliz quem tem apreço por mentira, quem tem apreço por traição. Enfim, é um longo discurso, que rende um outro texto. Ou seja, dá um trabalho danado revelar um segredo – que os diga Paulo Barros.


É isso, fique ligado e a vontade!







Por Brad Montana

3 comentários:

  1. Corroboro com todas as suas afirmações, mas prefiro manter a minha identidade incólume. Todavia, acredito que a humanidade está em evolução.

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  2. Concordo contigo, ainda existe preconceito sim. Mas para aqueles que escolheram o swing ao invés da traição, a vida é bela ! Nós escolhemos e somos muito felizes ! Nada de culpas, nada escondido, curtimos tudo juntos !

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  3. haaa eu diria o mesmo q vc... ERA PRA SER SEGREDO TAMBÉM !! kkkkkkkkkkkkk
    Eraaa... agora não tem mais jeito, fiquei loura, mudei bastante mas as pessoas não esquecem a Danadinha.. =/
    É o tipo de coisa que se carrega pra td a vida!

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